Lançamentos: Março de 2012 – Parte 3

Terceira e última parte dos lançamentos de Março de 2012, entre os dias 21 e 31.

Unisonic – Unisonic

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Phenomena – Awakening

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It Bites – Map Of The Past

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Aura Noir – Out To Die

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Axel Rudi Pell – Circle Of The Oath

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Ministry – Relapse

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Borknagar – Urd

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3 Inches Of Blood – Long Live Heavy Metal

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Meshuggah – Koloss

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OSI – Fire Make Thunder

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The Shins – Port Of Morrow

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Iron Maiden – En Vivo! [CD/DVD/Blu-Ray Ao Vivo]

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God Forbid – Equilibrium

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Naglfar – Téras

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Blood Red Shoes – In Time to Voices

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Overkill – The Electric Age

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General Surgery – A Collection Of Depravation [Coletânea]

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Hour Of Penance – Sedition

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The Mars Volta – Noctourniquet

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Dark Empire – From Refuge To Ruin

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Shinedown – Amaryllis

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The Used – Vulnerable

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Before Their Eyes – Redemption

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Galneryus – Phoenix Living In The Rising Sun [DVD Ao Vivo]

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Electric Wizard – Legalise Drugs And Murder [EP]

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Speak Of The Devil: 29/03/2012 – Kai Hansen

“O que eu realmente não gostava naquela época [com o Helloween] e o que eu realmente não conseguia curtir era que nós éramos uma banda de Heavy Metal e Heavy Metal é underground e não deveria estar em revistas pop afeminadas e é onde fomos parar. Eu me senti desconfortável com isso, eu não queria fazer nenhuma reportagem tola em minha casa sentado em uma cama com bichinhos e coisas do tipo [risos]. Então esse foi o problema.”

Kai Hansen, ex-guitarrista do Helloween, membro fundador do Gamma Ray e atual Unisonic, em entrevista ao Über Röck.

Grandes vocalistas: anos 60

Depois do texto sobre os grandes vocalistas dos anos 50, volto aqui com um apanhado dos nomes mais relevantes dos revolucionários anos 60!

Apesar de muitos dos impactantes artistas dos anos 50 terem mantido sua carreira e seu sucesso na década seguinte, – e também nas posteriores, diga-se – muitos novos nomes surgiram e ajudaram a consolidar o Rock n’ Roll como um estilo de música forte, com poder de inovação e não apenas como uma onda passageira – o que foi sacramentado, finalmente, nos anos 70, mas isso fica para outra matéria.

Se nos anos 50, bandas/artistas/vocalistas eram todos confundidos em uma mesma entidade, os anos 60 foram responsáveis por solidificar a ideia de banda, separando o vocalista do nome que o carregava – novamente, algo que ficou ainda mais forte na década seguinte.

Da British Invasion até o Woodstock, muita coisa rolou na década de 60. Dos Beatles a Janis Joplin, tivemos um dos períodos mais produtivos do Rock n’ Roll, que não apenas nos presenteou com verdadeiras lendas, mas que também serviu como berço para alguns dos grupos que fariam história nos anos 70.

Mas chega de enrolação e vamos direto ao ponto.

Para iniciar uma conversa sobre o Rock n’ Roll dos anos 60, teríamos que saber quando, de fato, ele “começou”. Datas são apenas números. Mas quando, realmente, a música dos anos 50 deu lugar ao Rock que caracterizou a década seguinte? Quando aconteceu essa transição? A grosso modo, podemos dizer que foi com a famosa British Invasion – a “Invasão Britânica” nas paradas Norte-americanas – capitaneada pelos Beatles, entre os anos de 1963 e 1964 e que trouxe novamente à ativa, mas com novas influências, todo aquele BluesR&B que estava “adormecido” nos EUA.

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Então, já que estamos falando sobre os Beatles e vocalistas da época, não podemos deixar de citar Paul McCartneyJohn Lennon, as principais vozes do grupo. Não preciso chover no molhado aqui e falar sobre a importância dessa banda e seus músicos – que continuaram em plena atividade pelos anos que se seguiram ao fim da banda, em 1970. São grandes vocalistas? Possuem uma voz poderosa e fora do comum? Não. Mas essas vozes fizeram mais história do que qualquer uma dentro do Rock, então isso já basta.

Seja nos primeiros álbuns dos Beatles, com o Rock/Rockabilly com grande apelo Pop que arrastou multidões, ou na época mais “cultuada” da banda, com alguns de seus discos mais complexos, a dupla McCartneyLennon fez história e marcou o Rock em apenas uma década, fazendo músicas que conseguem ser atuais até os dia de hoje.

Em relação à fase dos dois músicos pós-Beatles, o que deve ser dito é que Lennon ainda é considerado um dos maiores artistas de toda a história – assassinado nem 1980, mas enquanto fazia uma carreira solo muito bem sucedida – e McCartney é um dos maiores músicos – se não o maior – ainda em atividade, com uma enorme carreira solo – seja sob seu nome ou com o Wings, na década de 70 – e emplacando hits década após década.

Porém, não só de Beatles viveu a British Invasion.

O vocalista Mike Smith é um que merece ser mencionado entre os artistas desse período. O vocalista foi membro do grupo The Dave Clark Five, que desbancou os Beatles com o hitGlad All Over” no início da carreira. Hit que, inclusive, recebeu versões de diversos artistas durante as décadas que se seguiram. Mesmo não sendo um músico tão conhecido como alguns de seus contemporâneos, Smith possuiu, durante sua vida, alguns famosos fãs confessos, como o Norte-americano Bruce Springsteen. O vocalista veio a falecer em 2008, aos 64 anos, como consequência de um acidente que sofrera 5 anos antes e que o deixara parcialmente paralisado.

Porém, um grande nome da época e que continua vivo e bem, é o vocalista Ray Davies, da lendária banda The KinksDavies – que continua lançando música e fazendo shows até o dia de hoje, como artista solo – e sua banda podem não ter obtido o apelo comercial que mereciam, se comparado a outros nomes dos anos 60, mas sua música influenciou uma geração e marcou um período do Rock n’ Roll – Van Halen que o diga, pois, quase duas décadas depois, ainda estava lançando músicas do The Kinks em seus álbuns. Apesar de fazer parte da “primeira leva” de bandas da British Invasion, o estilo vocal de Ray Davies e o som da sua banda marcaram um estilo mais “sujo” do Rock, o que ainda era um grande diferencial para aquele período, mas que seria evidenciado por outros grupos na segunda metade da década – eu ainda chego lá.

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E falando em um “outro lado” da Invasão Britânica, é impossível – não pensem que eu me esqueci – não citar Mick Jagger e os Rolling Stones, a segunda banda de Rock mais famosa do mundo. Se os Beatles eram vistos como “os bons rapazes”, devido ao seu Rock tendendo ao Pop, – obviamente, apenas no início da carreira –  os Rolling Stones eram vistos como uma banda “perigosa”, com um som que flertava mais com o Blues e o R&B, além da figura sempre polêmica de Mick Jagger e sua marcante voz.

Depois da dupla Lennon/McCartney, não há dúvidas de que Mick Jagger é uma das vozes mais conhecidas do Rock – e olha que esse tal de Rock n’ Roll tem voz conhecida…

Para a felicidade geral, Jagger – que já teve uma considerável carreira solo e trabalhos no cinema – e os Rolling Stones continuam na ativa e são, de fato, verdadeiras lendas vivas!

Mas já que estamos falando de grandes vozes – e não apenas de vocalistas ultra-famosos – vale destacar, e muito, o vocalista Eric Burdon, do The Animals, com uma voz poderosa e mais puxada para o Blues, o que o diferenciava bastante de outros de sua época. Mas, apesar de terem obtido um relativo sucesso inicial como banda, a indústria da música não foi tão generosa com os rapazes e, hoje em dia, estão mais para um grupo cult daquele período.

Burdon, entretanto, ganhou notoriedade pela sua voz, mesmo não sendo popular como um Elvis Presley e chegou a ser listado, pela revista Rolling Stone, como um dos 100 maiores vocalistas de todos os tempos, sendo citado como “a voz mais imponente da invasão Britânica”. Segundo Steve Van Zandt (Little Steven), Eric Burdon “inventou o gênero do homem branco cantando grave”.

O vocalista continua na ativa, porém, trabalhando, também, com projetos na indústria do cinema.

Apesar de não estar entre as bandas comumente citadas quando se fala na British Invasion, talvez pelo fato de ser, por muitos, considerado, assim como o Cream no fim da década, apenas o grupo que deu origem e/ou impulsionou músicos e grupos “mais importantes”, o Yardbirds e seu vocalista Keith Relf merecem ser comentados aqui.

Relf também trabalhou com os grupos RenaissenceArmageddon – este último na década de 70 – e, apesar de ter sido um bom vocalista, nunca adquiriu a mesma notoriedade de alguns membros de sua primeira banda. Infelizmente, Relf veio a falecer em 1976, aos 33 anos de idade, vítima de um eletrocutamento.

E se pensa que a “Invasão Britânica” acabou por aí, se engana.

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Roger Daltrey, mais um dos grandes de sua época e vocalista da banda que pode ser considerada uma das mais pesadas de seu tempo, o The Who, é considerado um dos mais importantes vocalistas de toda a história do Rock. Realmente, é difícil colocar o The Who como uma banda da British Invasion. Primeiro, porque o seu boom veio depois das bandas da “primeira leva” da invasão. Segundo, porque seu som já era, naquela época, muito mais “visceral” e se assemelhava mais às bandas dos EUA que surgiriam na segunda metade dos anos 60.

De qualquer forma, tivemos o surgimento de um dos grupos mais relevantes e um dos maiores vocalistas/frontmen de toda a história do Rock.

E falando em grupos relevantes, o já citado Cream possuia o vocalista Jack Bruce que, apesar de não figurar entre os grandes nomes da época e sua banda – que tinha como guitarrista ninguém menos que Eric Clapton – ter durado apenas alguns poucos anos, pode, sim, figurar na lista dos grandes vocalistas dos anos 60. O Cream, inclusive, é considerado uma das mais importantes bandas Britânicas da época.

E para completar esse “pequeno” grupo de vocalistas Britânicos, vale mencionar Colin Blunstone, uma das belas vozes da época e membro do grupo The Zombies que, apesar de seus flertes com o Pop, não pode ser deixada de lado em uma discussão do Rock daquele período.

Seja com o Rock vigoroso do The Who, com o estilo clássico do Cream ou com o lado mais comercial do The Zombies, podemos dizer que essas bandas fazem parte de uma “segunda leva” da “Invasão Britânica” nos EUA.

Porém, se não só de Beatles viveu a British Invasion, não só da British Invasion viveu os anos 60.

Vamos aos EUA, o berço de grandes nomes dos anos 50, cujo Rock se rendeu aos grupos Britânicos da primeira metade dos anos 60, mas que renasceu com força alguns anos mais tarde.

Devido a diversos fatores políticos e socioeconômicos da época, as coisas mudaram um pouco na segunda metade da década de 60. A cultura dos hippies, do anti-guerra e do “paz e amor” se alastrava pelos EUA – e, também, pelo Reino Unido – e se, entre 1965 e 1967, grupos como os Beatles e os Beach Boys deixaram os palcos de lado para se concentrarem em experimentalismos no estúdio, o mundo viu, por outro lado, surgirem no Rock bandas com sons mais diretos, porém com letras pesadas e críticas – algo que até alguns artistas da década passada se arriscariam a fazer na época.

Mas falando em Beach Boys, dedicarei, antes de prosseguir, algumas palavras a eles, que foram, de fato, uma das primeiras bandas de Rock a realmente emergirem dos EUA nos anos 60. Os dois principais vocalistas da banda, Mike LoveBrian Wilson, são, sem dúvida, alguns dos nomes mais importantes do Rock Norte-americano, numa época em que eram chamados de Surf Rock e que  alguns nomes de peso do Rock n’ Roll do país já não possuíam tanto peso assim.

E, mais uma vez, antes de partir para os grupos que, de fato, fizeram o nome dos EUA dentro Rock, citarei, brevemente, algumas das vozes mais influentes do país naquela época e que, apesar de não serem estritamente parte do estilo, influenciaram uma geração de músicos.

São eles: Bob Dylan, Joan Baez, Leonard Cohen, Paul Simon, Art GarfunkelB.B. King e Johnny Winter. Os cinco primeiros, fizeram parte do Folk Norte-americano, – às vezes chamado até de Folk Rock – enquanto os dois últimos, foram alguns dos nomes mais relevantes do Blues – apesar de Johnny Winter ter sido, de fato, um Bluesman com uma pegada bem voltada ao Rock n’ Roll. Obviamente, esses não são os únicos nomes relevantes daquele período, – ainda mais em uma época tão rica como foi a década de 60 na música – mas são apenas alguns que merecem ao menos uma menção nesse texto.

Bob Dylan é, sem sombra de dúvida, a voz mais conhecida do Folk dos EUA. Como vários de sua época, não se destaca por performances vocais exuberantes, porém, como esse texto não trata apenas de boas vozes, mas também de vozes marcantes, Dylan não poderia passar batido.

O mesmo vale para B.B. King que, no caso, é, provavelmente, a voz mais conhecida da história do Blues. Para ser sincero, King poderia ter entrado na lista anterior, dos grandes vocalistas dos anos 50. Porém, alguns de seus grandes trabalhos foram lançados durante a década de 60, então deixo aqui registrado essas poucas palavras para nos lembrarmos desse gênio do Blues, que continua na ativa com seus quase 90 anos de idade. De qualquer maneira, não poderia deixar passar uma voz tão poderosa quanto a de B.B. King.

Já Paul SimonArt Garfunkel compuseram um dos grupos de maior sucesso em toda a década de 60, a dupla Simon & Garfunkel. Trata-se, sim, de uma dupla cuja sonoridade pode ser considerada puramente Folk, com alguns traços do Rock. As vozes de SimonGarfunkel estão entre as mais belas da época e as melodias que a dupla possuía influenciou, sem a menor dúvida, dezenas de artistas pelas décadas que se seguiram. Algumas de suas músicas foram regravadas por artistas e bandas como Elvis PresleyBon Jovi e até grupos mais pesados como o Nevermore. A dupla, que se separou logo no início dos anos 70, mas que deixou uma marca inigualável na música, continua trabalhando no meio musical, porém sem nenhum tipo de reunião definitiva.

Mas depois dessa volta toda, retomo o texto ao ponto em que me referia ao período quando os verdadeiros e mais revolucionários nomes do Rock Norte-americano dos anos 60 deram o ar de sua graça.

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De cara, já cito, aqui, o lendário Jim Morrison, líder do The Doors, uma das bandas mais icônicas da história do Rock. Considerado um dos maiores vocalistas e frontmen da história, Morrison possuía uma voz poderosa, performances enérgicas, combinadas, porém, com uma personalidade complicada, comprometida por seus abusos com álcool e outras drogas, o que culminou com sua morte, aos 27 anos de idade, em 1971.

Como vários exemplos na história do Rock e, obviamente, impulsionado pela sua morte precoce, podemos dizer que, hoje, a imagem de Jim Morrison consegue, de fato, ser maior do que a do próprio The Doors.

Também vítima de uma morte precoce, aos mesmos 27 anos de idade, porém em 1970, foi Janis Joplin, uma das vozes mais reconhecidas da época “paz e amor” dos anos 60. Se naquele período era raro vermos mulheres ganhando destaque dentro do Rock, – por qualquer motivo bobo que possa existir – mais raro ainda era ver uma mulher com o estilo de Joplin – no que diz respeito aos vocais e às suas performances – obter tamanho reconhecimento e se manter como “um dos grandes”, ano após ano.

Ela pode não ter a popularidade de alguns contemporâneos, mas é, sem dúvida, um dos grandes nomes do Rock Norte-americano.

E falando em mulheres vocalistas, mais uma que merece o devido destaque nesse texto é Grace Slick, vocalista de um dos grupos seminais da “contracultura” Norte-americana, o Jefferson Airplane. Eu poderia deixar para citar Slick e sua trupe em um texto sobre os anos 70, visto que fizeram uma carreira de sucesso naquele período. Porém, é inegável que seus maiores hits e sua maior importância se deu na década de 60. Apesar de ter embarcado em outros trabalhos na década de 70 (como no grupo Jefferson Starship), Slick se mantém afastada da indústria da música nos dias de hoje.

Mas, no que diz respeito a grupos de sucessos do final dos anos 60, é impossível discutir sobre vocalistas de Rock da época sem citar o Norte-americano John Fogerty, do Creedence Clearwater Revival. Com um estilo único, que flerta, inclusive, com o CountryFogerty ajudou sua banda a se tornar uma das mais relevantes da história e, à partir dos anos 70, embarcou em uma sólida carreira solo, na qual se mantém até os dias de hoje.

E ainda falando em grandes sucessos, nada melhor do que citar aqui a voz que embala a canção “Born To Be Wild“, não é? Apesar de John Kay, vocalista do Steppenwolf, não estar entre os mais influentes artistas de sua geração, sua voz, graças a um dos maiores hits de toda a história do Rock, é uma das mais conhecidos do meio. Claro que não só dessa música viveu a banda e muito menos J. Kay. Ele também lançou alguns álbuns solos e foi, inclusive, nomeado ao Hall Of Fame Canadense – para quem não sabe, nem ele e nem sua banda possuem suas origens nos EUA.

De qualquer forma, podemos dizer que foi realmente um grande sucesso esse tal Rock Norte-americano dos anos 60, não é? Mas o Rock Britânico não estava morto, não senhor.

Além do já citado The Who, – ganhando, à medida que a década avançava, cada vez mais força nos EUA – Syd Barret – com suas performances únicas e estilo inigualável – ajudava o Pink Floyd a dar seus primeiros passos rumo a uma carreira estrondosa que estaria por vir nos anos 70. Bem ou mal, Barrett foi dispensado da banda ainda na década de 60, porém, independente de qualquer coisa, merece ser citado entre relevantes vocalistas do Rock Britânico do período.

Mais uma voz marcante do Rock Britânico nos últimos anos da década foi a de Joe Cocker. Conhecido pelo seu estilo vocal mais “rouco” e praticamente inconfundível, pelas suas atuações malucas nos palcos e, principalmente, por fazer de simples covers alguns dos maiores hits de seu tempo, ele continuou com uma carreira de sucesso nas décadas seguintes, mas seu “impacto inicial” pode ser considerado ainda nos anos 60, de fato.

E para citar apenas mais um nome, deixo marcada a presença de Gary Brooker nessa lista, o vocalista do Procol Harum, uma das mais inventivas bandas Britânicas dos anos 60 e 70. Apesar de alcançarem relativo sucesso durante os anos 70, foi na década anterior que o grupo lançou alguns de seus maiores singles, incluindo o super clássico “A Whiter Shade Of Pale“. De qualquer forma, Brooker possui uma ótima voz e, mesmo que não esteja entre os músicos reverenciadas de seu país, seu talento merece ser destacado.

Todos esses grandes músicos Norte-americanos e Britânicos nos leva a conclusão de que, se na primeira metade da década o Rock foi dominado pelos grupos do Reino Unido, na segunda, tivemos uma verdadeira fusão, com grupos Norte-americanos ganhando mais notoriedade e o Rock Britânico deixando cada vez mais de lado a proposta das primeiras bandas da British Invasion. Naquele momento, entre 1966 e 1969, o Rock ganhou facetas “sujas”, “obscuras”, “psicodélicas” e tudo o que se poderia imaginar. Foi à partir dali, que o Rock passou a ser visto como um “vilão” por algumas pessoas.

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Dos hippies até o abuso de drogas, do “paz e amor” até o Woodstock e os assassinatos cometidos pelo grupo de Charles Manson, – colocado no mundo da música por Dennis Wilson, do Beach Boys –  o Rock – que se aproximava do que hoje chamamos de Hard Rock ou Heavy Metal – foi entrando, pouco a pouco, em uma espécie de “submundo” que, bem ou mal, contribuiu para o que nasceu nos anos 70.

Quanto a esse texto, eu consegui citar todos os grandes vocalistas dos anos 60? Com certeza, não! Em uma época tão diversa musicalmente, é uma missão dificílima reunir todos os grandes nomes que, direta ou indiretamente, fizeram parte do Rock n’ Roll daquele período.

Mas deixo registradas aqui algumas menções honrosas – aproveitando, também, para justificar a ausência de alguns músicos nessa lista.

Jimi Hendrix é um dos maiores nomes da década, ponto. Mas julguei que seria um pouco incoerente colocá-lo em uma lista de “grandes vocalistas”. Dentro do Rock, temos grandes músicos e muitos – muitos mesmo – excelentes guitarristas. Hendrix entra, tranquilamente, em um top 10 de todos os tempos. Mas não como vocalista. Se alguém sentiu falta dele nessa lista, eis o porquê.

Outra menção vai a Neil YoungStephen Stills, do Buffalo Springfield. A banda é, de fato, uma das mais importantes da época. Mas apenas julguei que, individualmente, os músicos ainda não eram grande referência e nem foram tão marcantes – no que diz respeito aos vocais. De qualquer forma, achei relevante ao menos citá-los como “rodapé”.

O mesmo vale para o Britânico Peter Green e o seu Fleetwood Mac. Apesar da banda ter alcançado enorme sucesso quando o vocalista/guitarrista Peter Green não fazia mais parte do grupo, ele é considerado um dos músicos mais importantes da história do Rock e algumas de suas canções foram regravadas por uma infinidade de artistas, dos mais variados gêneros (ou será que ninguém conhece a versão que o Judas Priest fez para a música “The Green Manalishi” e a que Carlos Santana fez para “Black Magic Woman“?). Isso sem contar suas inúmeras contribuições com artistas como B.B. KingPeter Gabriel. Mas, por razões óbvias, ele é mais reconhecido e citado como um grande guitarrista do que como vocalista. Assim, como no caso de Hendrix, – e vários outros – se fôssemos fazer uma lista com grandes nomes dos anos 60, ele com certeza figuraria entre os mais importantes. Mas, em uma lista que tenta reunir os grandes vocalistas, vale, ao menos, essa pequena menção.

Porém, caso tenham sentido falta de algum outro nome, não se preocupem. Eu posso ter ignorado, posso ter deixado para a próxima matéria – no caso do vocalista em questão ter, de fato, sido mais relevante em outro período – ou posso, simplesmente, ter esquecido. Para isso, sugestões são sempre bem-vindas.

Um grande abraço a todos!

Lançamentos: Março de 2012 – Parte 2

Confira a segunda parte dos principais lançamentos do mês de Março, agora entre os dias 11 e 20.

Angel Witch – As Above, So Below

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Uma das bandas mais cultuadas da NWOBHM, o Angel Witch chega, em 2012, ao seu quarto álbum de estúdio e o primeiro desde 1986. Para quem estava aguardando o retorno da banda, ou é fã dos grupos mais clássicos do estilo, será um dos principais lançamentos do ano.

Grinderman – Grinderman 2 RMX

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O Grinderman é uma banda Britânica de Alternative Rock formada em 2006 por membros do Nick Cave And The Bad Seeds e lança, em 2012, uma coletânea com alguns remixes de suas músicas. A banda lançou dois álbuns de estúdio e encerrou suas atividades em 2011.

Enochian Theory – Life… And All It Entails

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Banda Britânica de Progressive Metal formada em 2004, o Enochian Theory é uma das gratas surpresas do estilo nos últimos anos, fazendo um som autêntico e sem soar batido. O novo álbum do trio recebeu críticas positivas por revistas como a Classic Rock e a Metal Hammer.

Gorod – A Perfect Absolution

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Gorod, banda de Technical Death Metal formada na França em 1997, chega ao seu quarto álbum de estúdio, apresentando um Death Metal bem executado, com muitas variações rítmicas e influências diversas. Até aqui, o disco vem sendo bem recebido pelos fãs do estilo.

Sigh – In Somniphobia

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Para quem procura um interessante álbum de Avant-garde/Metal em 2012, o novo trabalho dos Japoneses do Sigh é um disco a ser ouvido. Possuindo todo tipo de “esquisitice” em sua música e viajando do Black/Thrash Metal ao Folk, este disco deve ser evitado pelos ouvidos mais “conservadores”, mas apreciado por aqueles que procuram por algo fora do comum.

Melvins – The Bulls & The Bees [EP]

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Melvins, um dos nomes mais cultuados do Alternative/Experimental Metal Norte-americano, lançou neste mês de Março seu novo EP, precedendo o novo álbum de estúdio que deve sair até a metade do ano. Aos fãs da banda, – e do estilo – serve como um gostinho das maluquices que vêm por aí.

Adrenaline Mob – Omertá

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O aguardado álbum de estreia do Adrenaline Mob, grupo formado por Mike Portnoy em parceria com Russell Allen, finalmente viu a luz do dia. Não esperem por nada muito parecido com o que ambos fazem/faziam em suas bandas principais, mas sim um som mais direto, com um Hard Rock/Heavy Metal muito bem executado.

Impending Doom – Baptized In Filth

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Banda Cristã de Deathcore formada em 2005, nos EUA, o Impending Doom chega, em 2012, ao seu quarto álbum de estúdio, com músicas que, se não esbanjam técnica, não poupam agressividade.

Soulfly – Enslaved

Imagem: wikimedia.org

Max Cavalera formou sua banda Soulfly em 1997, após deixar o Sepultura, e chega agora ao seu oitavo álbum de estúdio com o grupo, se afastando cada vez mais do Nu-Metal que caracterizou seu som inicial e apostando em um Groove/Thrash Metal pesado e vigoroso. O disco vem sendo extremamente bem recebido pela crítica e o público.

Spawn Of Possession – Incurso

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Um dos grandes nomes do Technical Death Metal – e mais um representante nesta lista – chega ao seu terceiro álbum de estúdio. O Spawn Of Possession foi formado em 1997 na Suécia e seus álbuns vêm sendo bem recebidos pelos fãs do gênero.

Cannibal Corpse – Torture

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Os Norte-americanos do Cannibal Corpse, uma das maiores e mais relevantes bandas da história do Death Metal, é mais um representante do estilo no mês de Março, com seu décimo segundo álbum de estúdio em quase vinte e cinco anos de carreira. O novo trabalho do grupo não se distancia de seus últimos lançamentos e continua servindo um ótimo material aos seus fãs.

MyChildren MyBride – MyChildren MyBride

Imagem: wikimedia.org

Banda de Metalcore formada em 2004, o MyChidren My Bride vem ganhando notoriedade com seus lançamentos e chega, em 2012, ao seu terceiro disco de estúdio.

Blaze Bayley – The King Of Metal

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O vocalista Britânico Blaze Bayley está tendo um início de ano bem movimentado. Além do lançamento do primeiro álbum do Wolfsbane em quase 20 anos, ele chegou, em Março, ao seu sexto álbum solo. Recomendado aos que gostam do vocalista e são chegados em um Heavy Metal tradicional.

Unheilig – Lichter Der Stadt

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Grupo de Gothic/Alternative Rock da Alemanha, o Unheilig, que vem apanhando cada vez mais fãs em seu país de origem, chega ao seu oitavo álbum em seus 12 anos de carreira.

Secrets Of The Moon – Seven Bells

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Banda de Black Metal formada em 1995, na Alemanha, o Secrets Of The Moon chega ao seu quinto álbum de estúdio, mantendo a crescente em sua carreira e firmando seu nome dentro do estilo.

Fields Of The Nephilim – Ceremonies

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Formado em 1984, no Reino Unido, o Fields Of The Nephilim é um dos mais relevantes nomes do Gothic Rock e lança, em 2012, seu novo CD/DVD ao vivo, com uma apresentação gravada em 2008.

Astra – The Black Chord

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Astra é uma das novas caras do Progressive Rock Norte-americano. A banda se estabilizou em 2006 e chega agora ao seu segundo álbum de estúdio, após críticas positivas em relação a seu primeiro lançamento, em 2009.

The Toy Dolls – The Album After the Last One

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Um dos ícones do Punk Rock Britânico, o The Toy Dolls chega aos seus mais de 30 anos de carreira com seu décimo segundo álbum de estúdio, o primeiro em 8 anos.

Enthroned – Obsidium

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Um dos grandes nomes do Black Metal mundial, a banda Belga Enthroned, formada em 1993, lança seu nono álbum de estúdio em 2012.

Anti-Flag – The General Strike

Imagem: wikimedia.org

A banda Norte-americana de Punk Rock Anti-Flag, consolidada no início dos anos 90, chega, em 2012, ao seu nono álbum de estúdio. Uma boa pedida aos fãs do estilo.

Unsane – Wreck

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Banda de Hardcore/Noise Rock formada em 1988, nos EUA, o Unsane chega ao seu sétimo álbum de estúdio em 2012.

Análide Inside Loud #6: Mr. Bungle – Mr. Bungle

Bandas que não possuem um grande apelo comercial, ou que buscam sempre se arriscar e inovar musicalmente, acabam, muitas vezes, sendo deixadas de lado pelo grande público.

Algumas, sequer conseguem um reconhecimento mediano a ponto de se manterem ativas. Outras, conseguem reunir uma considerável legião de fãs e seguidores, tornando-se uma espécie de banda cult.

Mr. Bungle se encaixa entre essas duas categorias. Não sendo uma banda largamente cultuada mundo afora, mas também não sendo completamente deixada de lado durante sua carreira, o grupo, formado por jovens rapazes com seus menos de 18 anos de idade, em 1985, é considerado, por alguns, um dos maiores expoentes do Avant-garde Norte-americano. Além disso, a banda é conhecida por ter dado a largada na carreira de alguns dos músicos mais talentosos das duas últimas décadas, como Mike Patton (Faith No MoreFantômasTomahawk e outros), Trey Spruance (Secret Chiefs 3Faith No More e outros) e Trevor Dunn (FantômasJohn ZornSecret Chiefs 3 e outros).

Mas não estou aqui para falar sobre a formação da banda e, sim, sobre o primeiro álbum de estúdio, lançado em 1991 e intitulado, simplesmente, Mr. Bungle.

Após uma série de demos lançadas nos anos 80, o primeiro álbum apresentou o que já se esperava da banda: muito experimentalismo, descompromisso com qualquer gênero ou “dogma musical” e músicas complexas e ecléticas, que flertam com MetalFunk e todos os elementos que fazem com que o som do grupo soe pesado, obscuro, empolgante e divertido, tudo ao mesmo tempo e na medida exata. Isso, o Mr. Bungle faz como poucos.

Não se iluda pelo fato do álbum ter sido lançado pela Warner Bros. O álbum não foi, nem de longe, um sucesso comercial e, musicalmente, é digno das produções mais independentes do Avante-garde.

O que esperar da banda, acho que todos sabem. Mas será que é possivel algo de qualidade de toda essa mistura? Tentarei, aqui, transmitir em palavras o que sai desse álbum. Confiram!

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